Rapsódia: Anjos e Demônios

15/02/2009

Reinos e Idiomas Próprios (ou abaixo o Idioma Comum)

Filed under: Projeto Rapsódia — Tags:, , — Alex Pongitori @ 13:32

Lendo os artigos A Má Comunicação e O Nascimento das Nações ou Porque o Idioma Comum Não Faz Sentido do .20, deparei-me com a questão de que seria interessante discutir para o Projeto Rapsódia. Vamos à definição de Nação:

na.ção
s. f. 1. Conjunto dos indivíduos que habitam o mesmo território, falam a mesma língua, têm os mesmos costumes e obedecem à mesma lei, geralmente da mesma raça. 2. País. 3. O povo de um país. 4. O governo do país; o Estado. 5. A pátria, o país natal. 6. Raça, origem, casta. S. f. pl. Bíblia. Os gentios, os pagãos.

Segundo o dicionário Michaelis, nação exprime a idéia de que os indivíduos têm, necessariamente, em comum os costumes, as leis e a língua. Portanto podemos dizer que uma língua unificada seria a base para o surgimento de uma nação, visto que sem ela a difusão da cultura e implementação de leis seria impossível.

É incrivelmente estranho que todas as raças e povos falem uma mesma língua, e não apenas estranho, isso é inverossímil, vai contra as definições de nação. E não adianta vir com aquele papo “se for pra fazer as coisas como elas realmente são não faz sentido existir RPG de fantasia”. O conceito de nação se encaixa em QUALQUER situação, seja em nosso mundo real ou nosso mundo de ficção.

Em nosso planeta, por exemplo, os franceses repudiam o inglês, que é o mais próximo que temos de língua comum, o que impossibilitaria de que o inglês fosse oficialmente a “língua do mundo”, essa dominação do inglês se caracteriza apenas pelas questões da globalização, da necessidade de comunicar e do domínio de uma nação sobre as demais.

Um exemplo claro disso é o de quando o Brasil foi colonizado, a primeira ação dos portugueses foi ensinar a língua, costumes, entre outros, aos índios. A aculturação de uma cultura por outra foi uma realidade em nosso mundo, a língua de um povo é seu maior expoente de cultura, sua maior característica.

O que levaria um mundo de culturas tão distintas a se unificar em uma mesma língua?! Isso só seria possível se uma nação mais poderosa conseguisse sobrepujar as demais (todas elas!!) e obrigá-las a assimilar a sua própria, o que acarretaria também na assimilação de uma nova cultura, um novo estilo de viver, religião, crenças e por aí vai. Teríamos um mundo igual em todos os sentidos.

Buscando dar mais vida ao que acontece em jogo acho extremamente válido buscar explicações fora de jogo.

Nós brasileiros falamos português porque fomos colonizados por Portugal. Que outros motivos teríamos para todos nós falarmos Chinês?

No Reinos de Ferro cada nação possui seu próprio idioma e algumas vezes idiomas étnicos minoritários.

Em Rapsódia, se os Anões de Spyra falassem inglês e os Elfos de Aêrya falassem Alemão, justificaria o aprendizado da língua, já que os dois reinos mantêm relações próximas. O que justificaria aos Halflings de Üngol aprenderem o Alemão dos Elfos, por exemplo?

São esses pequenos detalhes de realidade que dão o toque especial de verossimilhança aos cenários. Do contrário pra que se ater à leis, organizações sociais e outras características se tudo isso também existe em nosso mundo!?

O RPG se caracteriza pela união de um grupo em torno de um objetivo, de superar as dificuldades para atingi-lo. As línguas diferentes para culturas diferentes surgem apenas como mais um obstáculo a ser vencido, que podem originar momentos hilários, onde um personagem jogador faz mímica para conseguir algo, simplesmente pelo fato deles terem ignorado a barreira da língua ao ingressarem em um outro reino, para realizar uma missão. O idioma passa a fazer parte da aventura. É uma maneira de enriquecê-la.

O Shido disse o seguinte em seu artigo:

“Aqui na América Lat(r)ina, por exemplo, não há um “idioma comum”, pelo menos
para nós brasileiros (entre os falantes de espanhol, o nosso idioma é o estranho nessas bandas) — mas são idiomas suficientemente similares (tanto português quanto espanhol derivados do latim) para permitir uma comunicação em um nível suficientemente básico. Sem falar uma palavra de espanhol, você, lusófono, pode se virar em Buenos Aires, ainda que a comunicação seja limitada — dá para arrumar comida e chegar nos lugares, mas é bem mais difícil, se não impossível, uma discussão filosófica.”

Portanto, o mesmo seria impossível de acontecer se pegássemos você, que lê este artigo, e o teletransportássemos para a Coréia do Sul sem que você tivesse o conhecimento mínimo de coreano para o básico de uma comunicação.

Como já havia dito, o mais próximo de idioma comum que temos é o inglês, com ele você consegue fazer bastante coisa em praticamente qualquer lugar do mundo.Mas uma conversa mais flúida seria improvável.

Justifica-se, portanto, que num cenário de fantasia, reinos com relações próximas de comércio ou quaisquer outras conheçam o idioma um do outro, do contrário não.

Um personagem especialista não serve apenas para fazer ladinos ou bardos. Esse tipo de classe se sai muito bem como diplomatas, e nesse contexto linguístico (agora sem trema… rsrsrsrs) mais do que nunca!!

E o pensamento corrente de que as línguas podem ser mais um empecilho, e acabar atrapalhando a aventura, se resolvem facilmente com a contratação de um tradutor. Agora, a veracidade das informações que foram traduzidas é que se tornam ganhos para conflitos realmente interessantes dentro de uma campanha.

Sobre isso Shido diz o seguinte:

“O grupo de heróis e suficientemente poderoso, e, portanto, notório? Um Estado opressor pode descobrir, mediante espionagem, a presença desse pessoal superpoderoso em seu reino — e designar um agente duplo como tradutor. A investigação dos personagens estará, efetivamente, sendo monitorada pelo inimigo, o que deixaria fácil para o mestre emboscar os jogadores ou até mesmo reunir provas para prendê-los e submetê-los a um julgamento ou similar. Ou nosso tradutor não está ligado a ninguém, é simplesmente desonesto, e pode usar sua mediação de modo a beneficiar objetivos próprios — o que pode colocá-los em enrascadas ou, no mínimo, deixar-lhes as bolsas de moedas bem mais leves. O tradutor pode, ainda, não ser especialmente malicioso (eu sempre assumo o pior) — não colocará os jogadores em grandes problemas, mas pode ser usado como plot device, guiando os jogadores em um caminho de interesse seu ou de alguém que a ele esteja associado.”

Não saber um idioma te faz sentir não estar no seu lugar de origem, te faz sentir estranho e impotente. Isso é apenas mais uma ferramenta para os mestres.

“Um ladino em um reino distante e estranho, impossibilitade de Obter Informação em virtude da barreira lingüística, estará de mãos atadas para atuar no submundo, já que, embora conheça as de seu reino natal, não conhecerá as bocas de fumo, por exemplo, desse lugar estranho — mas o tradutor, um nativo, pode conhecer as bocadas locais. E conhece também os costumes, e pode auxiliar negociações, não apenas traduzindo o diálogo simultaneamente, mas alertando os personagens sobre condutas vistas como ofensivas naquela, de modo que possam evitar tais ofensas e assegurar o sucesso da negociação.”

Se o objetivo dos jogadores é apenas matar/pilhar/XP a barreira lingüística pouco vai importar, visto que as armas não falam. É óbvio que eles irão contestar essa realidade usando as justificativas de que em “Forgotten Realms” é assim, em “Tormenta” é assim. Mas se nosso objetivo é quebrar paradigmas, devemos fazê-lo em todos os sentidos.

Acompanhe a discussão sobre o tema em: Projeto Rapsódia – Fórum Oficial.

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